Segunda decisão: onde e quando
Este é o eixo que mais gera conflito e o menos detalhado nos acordos.
A convivência é o calendário concreto: onde a criança está em cada dia do ano e como acontece a transição entre uma casa e outra. Um plano que se limita a "fins de semana alternados" deixa de fora quase tudo que importa. O que precisa estar definido, em qualquer arranjo que se pretenda estável:
A rotina comum — os dias de cada semana, incluindo o que acontece em feriados que caem no meio dela.
As férias escolares — as de meio e as de fim de ano, com data de início e término de cada período.
As datas comemorativas — Natal, ano-novo, aniversário da criança, aniversário de cada um dos pais, Dia das Mães e dos Pais. São as ocasiões de maior carga afetiva e, previsivelmente, as de maior atrito. Um plano que não as reparte de antemão devolve essa negociação, todos os anos, a duas pessoas que se separaram justamente por não conseguir negociar.
As viagens — sobretudo as internacionais, que dependem da concordância dos dois. Sem regra prévia sobre prazo de aviso e forma de autorização, cada viagem vira um impasse em potencial.
A logística — quem leva, quem busca, em que horário, quem arca com o deslocamento. Parece detalhe menor; é a causa mais frequente de desgaste semanal.
A comunicação — como a criança fala com o pai ou a mãe com quem não está no momento, em que frequência, de que forma.
A mudança de cidade — o cenário que desmonta qualquer arranjo e que raramente é previsto, embora seja comum: novo emprego, novo relacionamento, retorno à cidade de origem.
Nenhum desses pontos é resolvido pela palavra "compartilhada". Todos eles são o conteúdo real do acordo sobre os filhos.